REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

A noite sempre é mais escura um pouco antes do amanhecer…

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A noite de 24 de setembro, quinta-feira, foi uma daquelas que preferia esquecer, pois nesse dia cumprindo o mister profissional imposto pelas minhas convicções e atribuições legais, acompanhei o Tenente Coronel PM Cardoso, Comandante da minha Unidade Policial, até o município de Rondon do Pará. Minha ida aquele município não foi por um motivo agradável e gostaria de nunca ter sido designado para tal missão.

Cumprir o Mandado de Prisão Preventiva do Capitão PM Dayvid Sarah Lima talvez tenha sido a prisão mais difícil na minha carreira de 17 anos na Polícia Militar. O Cap PM Dayvid é o Comandante da 11ª Companhia Independente De Polícia Militar, situada na cidade de Rondon, amigo de longa data, foi meu Subcomandante quando de minha passagem pelo Comando daquela unidade policial militar. Policial Militar altamente qualificado, possuidor de amplos conhecimentos técnicos – profissionais na área da segurança pública, disciplinado e disciplinador, serviu em várias unidades policiais, inclusive com passagem pela nossa unidade de elite, a Companhia de Operações Especiais e membro da Força Nacional, com mobilizações importantes como, por exemplo, o policiamento nos Jogos Pan-americanos e nos Jogos do Para-Pan.

A acusação de ter invadido o Fórum da Rondon do Pará, para ameaçar e coagir o Juiz daquela comarca não condiz com a conduta e a personalidade do Capitão Dayvid, seus conhecimentos e habilidades sempre foram utilizados para a proteção das autoridades constituídas e da sociedade brasileira.

Bem sei que a verdade é apenas uma construção mental confirmada pela percepção sensorial, naquele momento o Juiz de Rondon havia proferido uma sentença dura, mas legítima, contra três policiais militares e em seguida surge o Capitão Dayvid para buscar, a pedido da defesa dos policiais, a dita sentença. O estopim foi acesso…

Havia um clima de medo e insegurança por parte do magistrado, pois dias antes solicitara segurança pessoal ao Comando da PMPA. Com a visão da chegada de policiais militares naquele momento e no contexto concebido, não teve dúvida seu temores estavam se concretizando, porém nada ocorreu e nem contato visual ou físico. Não houve agressão ou discussão entre o Oficial e o Magistrado, nada além de sombras e fumaça.

Não cabe a mim, o julgamento da conduta tanto do Oficial PM quanto do Magistrado. O que fica claro é que os fatos talvez nunca sejam conhecidos na sua plenitude, pois tudo está no campo da especulação. O que não pode se concebe é que um representante do Poder Judiciário tenha medo da força policial e de seus legítimos representantes, pois em última instância, tem medo do próprio Estado. Por outro, nenhum policial jamais deve contestar uma decisão judicial, pois em última instância, estará deixando de cumprir a missão para qual foi criada nossa instituição: Cumprir e fazer cumprir a lei, acatar as ordens das autoridades a que estive subordinado, preservar a ordem pública e proteger o cidadão.

O certo é que no dia 30 de setembro, quarta-feira, o Capitão Dayvid foi liberado através da revogação de sua prisão preventiva, o que me deixou bastante feliz. O Magistrado deve agora retornar para a sua comarca (pois está na capital), de onde nunca deveria ter saído. A situação funcional do Capitão Dayvid será apreciada após a conclusão de procedimentos apuratório, onde com certeza a justiça prevalecerá.

De fato, com tudo que ocorreu aprendi que a falta de diálogo, de confiança, de entendimento, da convivência pacífica e harmônica, da tolerância, da paz social e de todos os atributos que podem proporcionar a construção de uma sociedade pacífica e ordeira, provocam em nossa sociedade atual, o medo.

E nessa luta entre a espada e a pena quem sofrer é a sociedade paraense, que viu atônita um embate entre representantes de instituições que tem a missão em comum de garantir os direitos e liberdades individuais, além é claro, de lembrar os deveres de cada cidadão. Nesse fogo cruzado, encontramos o cidadão, atordoado, sem saber a quem recorrer no momento de sua angústia e dificuldade. Pois aqueles que deveriam andar de mãos dadas lutando pela construção de uma sociedade mais justa e pacífica resolveram medir forças e cada um com suas alegações buscando desacreditar seu oponente, sem perceber que no final quem perde são nossas instituições e a própria sociedade.

 

 

 


 

Written by Claudio Marino F Dias

10/02/2009 às 15:23

Publicado em segurança pública

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