REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Ah! se a moda pega.

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Sem acreditar na Justiça ou motivados pelo desejo de ter uma situação resolvida, populares realizam sessões diárias de espancamentos, principalmente na Região Metropolitana de Belém. Os casos são crescentes e todos os dias os hospitais públicos recebem uma grande e preocupante quantidade de vítimas da “justiça com as próprias mãos” realizadas pela população.

Ontem, um adolescente de 16 anos foi espancado, na WE- 32, na Cidade Nova 4. Ele foi perseguido por populares depois de assaltar um professor e roubar seu notebook.

Segundo informações, o professor foi levar seu filho à escola e ao estacionar o carro foi abordado pelo bandido. Armado com um revólver e em companhia de um comparsa, identificado pelo vulgo “Pingo”, Luís ameaçou a vítima e conseguiu roubá-la.

Na tentativa de ter seu aparelho de volta, o senhor correu atrás dos bandidos e sua reação fez com que os ladrões atirassem em sua direção. Por sorte, ninguém ficou ferido. Na hora do assalto, várias pessoas caminhavam pela rua e muitas crianças estavam entrando na escola. A cena foi de pânico. O medo se espalhou e causou revolta em algumas pessoas que passaram a perseguir os bandidos depois de presenciarem a falha no revólver.

“Pingo” conseguiu fugir e o adolescente foi alcançado. Teve início, assim, uma sessão de espancamento, com direito a chutes e socos. Uma roda se formou ao redor do bandido e populares instigavam aos mais corajosos que batessem no acusado. Minutos depois, policiais chegaram ao local em uma viatura da polícia e prenderam o acusado. Ele foi levado ao Hospital Metropolitano, onde foi atendido. Segundo informações da assessoria de Imprensa do hospital, o estado de saúde do acusado é estável. Ele teve uma fratura na mandíbula e permanece internado em observação.

>>> Espancado na Cidade Nova sobrevive por “milagre”

Outra vítima de espancamento foi Moisés Souza Martins. Ele é acusado de tentar assaltar um mototaxista na noite de terça-feira, o que ocasionou em uma sessão de espancamento de mais de uma hora. Segundo informações de colegas de trabalho da vítima, o assaltante chegou em companhia de um comparsa e pediu ao mototaxista para realizar uma corrida.

Ao sair do ponto, apontou um revólver para o condutor e informou que se tratava de um assalto. Colegas da vítima disseram ter desconfiado da ação dos bandidos e foram em direção ao amigo.

Para azar do bandido, a arma falhou e ele foi cercado por amigos da vítima. Moisés foi espancado por quase uma hora. Motoqueiros, revoltados com a situação, passaram por cima dele com suas motos. Ele foi agredido ainda com chutes, pauladas e pedradas.

Quando a polícia chegou ao local encontrou o acusado bastante ferido e sangrando muito. Ele foi tirado da ira popular por policiais militares e levado ao Hospital Metropolitano.

No HM constatou-se que o acusado não apresentava nenhuma fratura. Com apenas algumas escoriações e luxações pelo corpo, ele recebeu alta no dia seguinte.

>>> Após roubo de moto, rapaz é alcançado por populares

Alan Rodrigues Costa, de 18 anos, foi mais uma vítima da impiedosa revolta de populares contra a violência dos bandidos. Ele e outros três comparsas roubaram a moto de um homem na Cidade Nova VI. Mas foram perseguidos e Alan foi capturado pelos populares. Ele foi violentamente espancado e acabou sendo salvo das mãos da população pela polícia.

O sargento Chucre, da 7ª Zpol, contou que o crime ocorreu por volta das 23h40, na SN-3, no conjunto Cidade Nova VI, em Ananindeua. O veículo roubado por Alan e seus comparsas foi uma moto Honda Biz, de cor preta, subtraída de um morador da área.

Alguns minutos depois de ocorrer o roubo, a moto foi localizada próximo ao final da linha do ônibus Guajará.

Do grupo de ladrões, apenas Alan foi detido por populares. Os outros participantes do crime conseguiram escapar. Depois de ser espancado pela população, o criminoso detido foi socorrido e levado para a Seccional da Cidade Nova.  (Diário do Pará)

Enquanto o governo e o sistema de segurança pública continuam fazendo propaganda de suas ações, a criminalidade não para de crescer na nossa capital. O cidadão totalmente descrente dos poderes estatais resolveu combater os criminosos com as próprias mãos. A polícia não está mais socorrendo o cidadão, agora está socorrendo os bandidos da fúria popular.

briga1Gostaria que essa fúria fosse transportada para outros crimes como a corrupção e a pedofilia. Aqui no Pará, ia ter deputado, prefeito, irmão de governadora e altas autoridades caindo na “péia”.



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