REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Escândalo no Instituto de Criminalística do Pará

leave a comment »

protecao-federal1

Demitido da função de diretor-geral do Centro de Perícias Científicas “Renato Chaves”, Miguel Wanzeller Rodrigues decidiu abrir o seu arquivo contra o governo do Estado e aponta o sistema de segurança pública como “caótico” e corporativista. Segundo ele, a sua queda do cargo se deu, entre outras razões, por não aceitar pressões para forjar laudos protegendo a polícia Civil e Militar. Em entrevista ao CORREIO DO TOCANTINS, ele anuncia: vai questionar na Justiça a sua exoneração e pedir proteção da Polícia Federal diante da gravidade das denúncias que ainda tem a fazer. Visivelmente nervoso na entrevista por telefone, mas com a língua afiada pelo calor da situação, Wanzeller fez questão de defender que a sua motivação para fazer as revelações não vem da sua demissão, e sim da crença de que os “avanços” alcançados pela perícia paraense ­ segundo ele, um modelo para todo o País ­ sofram retrocesso. O ex-diretor tenta poupar a governadora ao afirmar que a mesma sequer deve ter conhecimento dos desmandos que estariam acontecendo na área da segurança pública. Ele aponta como seus perseguidores a cúpula da polícia Civil e Militar e cita nominalmente o secretário de Segurança Pública do Estado, Geraldo Araújo, e um deputado estadual, de cujo nome não especificou, como os responsáveis pela sua saída do órgão. “Eles fizeram um complô”. Questionado sobre qual interesse os chefes do sistema teriam com sua saída, Wanzeller respondeu que está sendo punido pela sua eficiência, pois a “organização e capacidade do CPC” estariam expondo a incapacidade, a falta de estrutura e de organização, principalmente da Polícia Civil. LAUDOS – Miguel Wanzeller também deixa no ar que estaria recebendo pressão nos últimos tempos acerca dos resultados de laudos. Ele afirma que trabalha a perícia como instrumento de direitos humanos e que, nesse perfil, nunca permitiria que os laudos fossem usa dos para ocultar crimes, sobretudo os cometidos por agentes da lei. Miguel acredita que o perfil de independência do CPC, como órgão não-subordinado à polícia, vinha incomodando a cúpula da segurança. O ex-diretor-geral sustenta que foi boicotado do Fórum Social Mundial ­ ocorrido em Belém ­, onde a sua explanação sobre o “laudo online” foi retirada da agenda oficial da governadora. “Somos a primeira instituição da América Latina a disponibilizar o laudo online. Isso significa que dentro do processo vai valer o nosso laudo, pois tem assinatura e certificação digital. Com isso, acabam aquelas desculpas do Judiciário, da Polícia Civil e Militar de dizerem que está atrasado o laudo”. PROTEÇÃO – Wanzeller destaca o fato de ter sido eleito para a função de diretor-geral do CPC em eleição entre colegas do órgão, o que é previsto no estatuto do Centro. Diante disso, ele considera ilegítima a sua exoneração, razão pela qual ficou de constituir advogado para ingressar com mandado de segurança na Justiça, pela sua manutenção no cargo. O ex-diretor ficou ainda de pedir segurança à Polícia Federal, pois alega ter mais denúncias a fazer sobre o sistema de segurança do Estado, que podem representar perigo para ele mesmo. Apesar disso, não adiantou essas informações ao CORREIO DO TOCANTINS, alegando que serão reveladas no momento oportuno. Na versão de Wanzeller, os desmandos eram enormes no órgão antes da sua chegada. Ele afirma, por exemplo, que a perícia era cobrada do governo em duplicidade. “Acho que disso a governadora não tem conhecimento. No mesmo mês em que assumi aqui, acabei com essa pouca vergonha”, disse, sempre no sentido de destacar a própria gestão como modelo. Com relação ao nome apontado para substituí-lo no cargo, Raimundo Humberto Sena de Oliveira, o exdiretor lembrou que ele e outros membros da Associação dos Peritos Oficiais do Pará (Aspop) respondem a uma sindicância (nº 008/ 2008) na Corregedoria Geral do Centro de Perícias “Renato Chaves”, (processo nº 190/2005), que determina a instauração de um Processo Administrativo Disciplinar para apurar indícios de repasse e recebimento ilegal de recursos referentes ao convênio nº 002/2004 entre a Aspop e o CPC. SEGUP – A Reportagem contatou por telefone nesta quarta-feira o assessor de Comunicação da Secretaria de Segurança, Emanuel Villaça, a fim de que esse comentasse o assunto, e ele disse que a Segup não iria se manifestar formalmente sobre o caso. Segundo ele, o secretário considera que Wanzeller tem o seu direito de se manifestar livremente, contudo terá de comprovar as denúncias que tem feito.

iml-2

iml

Não desisto!!!

Não desisto!!!

A reportagem acima foi veiculada no Jornal “Correio do Tocantins” com circulação no Sul e Sudeste do Estado do Pará.

O contexto geral é que todos os dirigentes do Sistema de Segurança Pública foram exonerados nos últimos trinta dias.

Ou o nosso amigo acima tem muito apego pelo cargo ou está cheio de razão.

Vamos acompanhar o caso amiúde.

Uma coisa é certa, esse governo em termos de segurança pública está perdido.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: