REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Pronunciamento em defesa da Polícia na Bahia

with 6 comments

AS POLÍCIAS ESTADUAIS PRECISAM AVALIAR E QUESTIONAR OS GOVERNADORES ESTADUAIS. JÁ SÃO 17 SECRETARIAS DE SEG PÚBLICA NAS MÃOS DA POLÍCIA FEDERAL E ELES NÃO SABEM PLANEJAR A SEGURANÇA EM SEUS ESTADOS, OBSERVEM:


Informativo Eletrônico Nº 129 – Janeiro de 2009.
Repasse a seus amigos policiais.

Policial não é Frouxo, é Desamparado!

Parte II

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DA BAHIA
DIVISÃO DE TAQUIGRAFIA

Pronunciamento do Deputado Capitão Tadeu na Tribuna da Assembléia Legislativa no dia 27/01/2009.
Srs. Deputados, na condição de Capitão da Polícia Militar agora eu gostaria de fazer uma referência ao que o jornal A Tarde publicou esta semana com o título: “A polícia baiana é frouxa”. E vem o jornal A Tarde dizendo: (Lê) “O Secretário de Segurança Pública, Delegado de Pol Federal  César Nunes, praticamente confirmou aquilo tudo que se suspeitava da polícia baiana: é frouxa. Tem medo de enfrentar bandido, faz de conta que vai para a campanha, mas fica no faz-de-conta. Liga a sirene, invade sinaleira, exibe as armas de grossos calibres das janelas das viaturas, acende o giroflex, faz todo o mise-en-scène e… se esconde. Fica por trás do muro dando tiros a esmo, ao léu, como se fossem fogos na festa de São João.
O secretário disse aqui, nas páginas de A TARDE, que o policial que estiver com medo pode chama-lo que sai junto para a ação. Ou seja: é preciso que a mais alta autoridade policial do Estado tenha de colocar no colo, proteger e dar guarida àqueles que deveriam dar segurança para todos nós. Se a polícia está com medo, imagine a população. Mas também não é fácil ter coragem numa cidade em que já morreram mais 60 pessoas apenas neste início de ano. Só estamos perdendo para a guerra irada de Israel com o Hamas.
Jornal A TARDE 20 de janeiro de 2009.”


Srs., recebi um e-mail de um soldado da Polícia Militar e, por questões de segurança não vou declinar o nome dele, mas está aqui em minhas mãos, todos podem ver, e vou ler a resposta de um soldado da Polícia Militar a S.. Exª, o Secretário de Segurança Pública:


Polícia e frouxidão, o título.
(Lê) “R esposta. Mediante as acusações e ofensas do senhor secretario de (in) segurança pública da Bahia, Sr. César Nunes, exigimos que a APPM como também o Dep. Capitão Tadeu manifeste uma moção de repúdio, pois nós policiai s baianos pelas condições de trabalho que temos somos heróis.
Ao invés de proferir palavras que venha denegrir a imagem da corporação policial e dos seus membros, o mesmo deveria está equipando com equipamentos as unidades e qualificando estes honrados profissionais.
FROUXO é quem fica em um ar condicionado ganhando fortuna sem fazer nada em prol da segurança do povo baiano que sofre com o alto índice de violência.
FROUXO é quem não tem coragem em reivindicar melhores condições de trabalho para a tropa.
FROUXO e covarde é quem se aproveita do cargo para botar a culpa na pessoa errada pela alta taxa de violência no estado.
Segundo o mestre em direito Miguel Reale “a polícia é a força que mantém a hegemonia do estado e seus governantes no poder”!
Respeito é bom e nós gostamos.”


É triste ver o Secretário de Segurança Pública ouvir uma resposta dessa de um soldado da Polícia Militar, que deveria ter admiração, apreço e respeito ao Secretário. Vem publicamen te, sem esconder o seu nome, eu é que estou escondendo para preservar esse policial militar, dizer que frouxo e covarde é aquele que põe a culpa nos soldados. Está aqui o termo.
Bem, eu quero, agora, manifestar, aqui, a minha opinião: O secretário de Segurança Pública, IRÔNICO delegado da Polícia Federal, sempre que ia para uma diligência como delegado da Polícia Federal, ia depois de um ano de planejamento, com helicóptero, com policiais bem armados, bem pagos e bem treinados, com coletes à prova de bala e pegava a quadrilha de surpresa pelo planejamento.
O secretário de Segurança Pública nunca entrou numa viatura da Polícia Militar sem colete à   prova de bala, sem munição e com armamento velho, somente ele e o companheiro para enfrentar uma quadrilha. O secretário de Segurança Pública nunca ficou em uma cidade sozinho para proteger uma cidade inteira estando sozinho nessa cidade. O Dr. César Nunes nunca ficou em uma delegacia de Polícia Civil sozinho tomando conta d e 20 ou 30 presos, correndo o risco de uma quadrilha ir resgatar os seus comparsas presos.
É triste ver o secretário de Segurança Pública insinuar que os policiais são covardes. Só durante este ano que passou já morreram mais de 30 policiais na Bahia. Isso é covardia, secretário? (Pausa) Estão se omitindo de quê? Os meus companheiros pediram para fazer esta moção de repúdio. E, aqui, estou fazendo em nome de meus colegas da Polícia Civil e Polícia Militar.
O secretário de Segurança Pública diz publicamente, como disse ontem na Rádio Itaparica: “Eu sou cana”. Para quem não sabe, cana é um termo do século passado que se chamava o policial. Era o apelido de policial no século passado. Quando o secretário diz que “é cana”, eu digo para ele: A sociedade não quer um cana na Secretaria de Segurança Pública. A sociedade quer um gestor competente, que respeite o direito de seus subordinados, que tenha políticas públicas para gerir a segurança da sociedade. A sociedade não pre cisa que um secretário pegue um revólver e vá para a rua, porque já existem os policiais para fazer isso.
Então, não precisa o secretário César Nunes ter este arroubo de infantilidade e dizer: “Se está com medo, chame-me, porque eu vou para a rua”. Secretário não é para ir às ruas. Secretário é para dar condições aos policiais que estão na rua. Parece que o secretário não sabe o que significa ser um secretário de Segurança Pública. Infelizmente, nós estamos nesta situação. Esperamos que o secretário peça desculpas a esses 36 mil policiais milita res e civis que estão morrendo em defesa da sociedade. Espera-se que ele não venha aqui insinuar que policial civil ou policial militar é frouxo.
O Sr. PRESIDENTE (Isaac Cunha):- Para concluir, Sr. Deputado.
O Sr. CAPITÃO TADEU:- É frouxo, secretário, porque o policial lhe respeita como secretário, apesar de V. Exª não respeitar os policiais em sua condição de policial. É frouxo, secretário, porque os policiais, mesmo se ndo explorado por V. Exª nas escalas de serviço…
O Sr. PRESIDENTE (Isaac Cunha):- Para concluir, deputado.
O Sr. CAPITÃO TADEU:- (…) o senhor mantém a escala de serviço escrava e ele, assim mesmo, cumpre esta escala de serviço escrava mesmo tendo os seus direitos desrespeitados em defesa da sociedade, porque se os policiais não fossem frouxos, Sr. Secretário, eles iriam mostrar a V. Exª que frouxo, realmente, é V. Exª que se tranca em seu gabinete para falar mal de seus subordinados.
Obrigado. ( Palmas)

Capitão Tadeu Fernandes
Deputado Estadual – Líder do PSB
Presidente da Sub Comissão de Segurança Pública e Defesa Civil

Esse email foi  encaminhado hoje, por um amigo Oficial Superior da PMPA, não irei declinar o seu nome, pois não pedir a sua autorização, porém tenho certeza que esse pensamento é coadunado com a grande maioria de profissionais de segurança pública do Estado do Pará.

Operador de Segurança Pública Estadual não está servindo nem para gerir o seu próprio sistema de segurança. É muita incompetência governamental. É o total desprestígio desses profissionais.

“Só mudar os atores, o cenário é o mesmo”

Valeu, Deputado Capitão  Tadeu.

6 Respostas

Subscribe to comments with RSS.

  1. Caro amigo,

    Embora não seja policial, gosto de acompanhar notícias e discussões sobre segurança pública, e me alegro de haver um blog paraense sobre o assunto.
    Entretanto, gostaria respeitosamente de indagar o porquê da repulsa aos secretários de segurança oriundos dos quadros da PF. Ao que me parece, sempre que o secretário…

    …é policial civil, a Polícia Militar se vê desprestigiada.
    …é policial militar, a Polícia Civil se vê desprestigiada.
    …é policial federal, as duas Polícias estaduais se veem desprestigiadas.
    …é cientista social, então é criticado porque nunca sentou numa viatura.
    …é advogado, promotor ou juiz, não entende de segurança porque sempre trabalhou no ar condicionado.
    …é político, então não é técnico, é político.
    …é oficial do Exército, é um retorno às práticas da ditadura.

    Naturalmente, não seria justo dizer que estas sejam suas opiniões pessoais, afinal não as conheço, mas são críticas que de vez em quando leio e escuto. Assim, pergunto qual seria o perfil ideal para o ocupante do posto.

    Parabéns pelo trabalho,
    Victor

    Victor

    02/03/2009 at 18:36

  2. Meu caro amigo Victor, muito obrigado pela visita e pelo comentário.
    Digamos que nas entrelinhas da sua postagem está uma grande verdade no “universo da segurança pública”. Na verdade esse direito consagrado na CF foi durante muito tempo relegado a plano inferiores da política nacional, seja porque é tarefa não muito elegante, seja porque atua nas causas e não nos efeitos da violência, podendo muitas das vezes colaborar para o aumento exponencial da violência. (não quero dizer que isso esteja acontecendo)
    Esse descaso histórico proporcionou a formação de instituições policiais que tecnicamente falando possuem uma especialização incompleta, isso quer dizer que ainda estão ligadas a outros ramos institucionais. Digo isso, afirmado que a PM tem laços fortíssimos com as forças armadas (EB) e a PC tem laços com o Poder Judiciário. A PM já tentou equiparar seus vencimentos com o do EB (agora não vale mais a pena) e a PC tenta equiparar com a carreira jurídica (inicialmente os Delegados). Portanto é comum que dentro da polícia estadual exista a gerencia de uma pessoa sem vinculo institucional com a polícia estadual, isso é histórico. (na verdade enquanto as duas ficam brigando isoladamente com o governo e uma contra a outra, vem outro e toma seu lugar)
    Essa realidade vem mudando desde o final dos anos 90, quando o próprio governo federal percebeu a necessidade de iniciar um processo de especialização dentro das instituições policiais juntamente com a sua integração, tentando em estado emergencial uma mudança de cultura dentro das nossas instituições, através de ensino em todos os níveis. Você acredita que não existe nenhum curso de Pós-Graduação strictu sensu em segurança pública no Brasil, pois não existe, ainda.
    Busca-se principalmente pelo governo federal, através da Secretária Nacional de Segurança Pública, a formação de gestores de segurança pública e privada com uma visão voltada para o respeito as culturas organizacionais existentes e capaz de direcionar essas instituições a uma verdadeira especialização e profissionalização das policias, com respeito aos direitos humanos e a lei. Nos casos que você citou como exemplo podemos ver que muitos que já ocuparam o cargo de secretário no Pará, possuem formações diversas, p.e, jurídica, militar, sociológica, “política – sei lá”, mas não teve uma formação policial, não é um gestor de segurança pública. Entender todos esses vieses é importante para podermos ter uma visão adequada do gerenciamento da segurança pública no nosso país. O que na realidade, todos os policiais querem do ocupante do cargo máximo do Sistema de Segurança Pública é que respeite os direitos dos seus subordinados e lute por eles. Entenda que o policial não pode ter seus direitos postergados e não reconhecidos, e logo em seguida saia para trabalhar, justamente para proteger o direito de todos os cidadãos. Que saia de casa para uma missão de 30 dias deixando seus poucos rendimentos para a sua família se sustentar e receber as diárias dessa viagem 1, 3, 6 meses depois. Queremos um gestor que cobre todos os nossos deveres sem restrições, mas que lute por cada um dos nossos direitos. Inclusive esse que estou exercendo agora, a liberdade de expressão.
    Volte sempre.
    Um abraço.

  3. Ilustre Capitão,

    Encontrei seu comentário no blog do Wolgrand, me levando a visitar seu e postar o comentário abaixo:

    Também fui um leitor, apesar de anônimo, que vibrei com os textos daquele que chegava com a disposição da “fazer o silêncio falar” – o silêncio que incomoda, representado pela omissão de quem tem a atribuição de obstar o avanço do despotismo, do abuso, da má gestão da Administração, assim como pela omissão da grande mídia, comprometida com agentes públicos preocupados com seus umbigos e nenhuma preocupação com a “res publica”.

    Apesar de alguns comentários divorciados do contexto, outros contribuíram para a discussão dos temas abordados e por em prática a dialética.

    Mas, de repente aquele que se dispunha a “fazer o silêncio falar”, incorporou de forma inversa o tema de sua bandeira que foi enrolada e escondida em um canto qualquer.

    Lastimável essa morte prematura de um Prometeu que temeu que seus fígado não se regenerasse.

    Para você ter idéia, até brinquei em instituir entre os demais leitores um concurso para fazer um “Necrológio” e um “Epitáfio” ao BLOG DO WOLGRAND, como forma de provocá-lo a sair do marasmo que de repente se impôs, mas nem isto foi publicado, apesar de não haver nenhum termo ofensivo, a não ser a ironia, aliás uma das ferramentas de um dos grandes pensadores (Sócrates) estudados pelo major-filósofo.

    O prenome de Wolgrand, de origem germânica, modificado por alguns leitores o tratado de Grand Wol, significando literalmente “grande vontade”, resta sugestivo para a situação que se criou e que fica – uma grande vontade de fazer o silêncio falar, mas que ao final, capitulou.

    Anônimo

    02/04/2009 at 11:31

  4. Obrigado pela visita, caro(a) amigo(a) anônimo(a).
    Creio que a tarefa de “Fazer o silêncio falar” é de uma envergadura titânica e o nosso Prometeu não conseguiu realizar-la, acredito que entregar o fogo dos deuses olimpicos para a humanidade foi mais fácil.
    Acompanhei essa saga de perto, mas no fundo tinha minhas dúvidas sobre o sucesso dessa empreitada, pois sou um pouco politizado e logo reconheço um apelo político quando o vejo. Dentro da minha ótica, acredito que a “grande vontade” conseguiu de alguma forma alcançar seus objetivos momentâneos.
    Resolvir escrever nesse blog, primeiro, porque gosto e tenho objetivos claros na minha vida. Segundo, cansei de falar, de reclamar, de aconselhar e de ajudar em situações pontuais. Acredito que chegou a hora de tratarmos da segurança pública de forma participativa, principalmente ouvindo os operadores de segurança pública. É hora de mostramos para a sociedade as dificuldades encontradas dentro das delegacias e quarteis, a realidade do dia-a-dia, nossos anseios, temores e desejos. Como bem disse Martin Luther King “o que me incomoda não são os gritos dos maus, mas sim o silêncio dos bons”.
    Um abraço e volte sempre.

  5. Prezado Capitão,
    Li seu comentário no Blog do Major e escreví para ele sobre o assunto. Fui ignorada, pois o meu comentário não foi postado. Acima, vejo um anônimo decepcionado como eu estou, por isso, o transcrevo para ser publicado em seu espaço, como expressão de SOLIDARIEDADE.

    Deixo claro que não pretendo transformar o seu Blog em um fórum de discussão sobre o “falecimento” do BW. E espero que esta seja a primeira e última referência q. faço a respeito daquele q. prometeu fazer o silêncio falar. E ainda, estarei postando sempre com a minha identificação.

    Cordialmente,
    Rubenita Pimentel.

    “Prezado Major,

    Concordo plenamente com o Cap. CLAUDIO MARINO,(AH, VOU MIGRAR PARA O BLOG DELE!)

    Fazendo uma adaptação bíblica, “Quem lança uma vez a mão ao arado e olha pra trás, torna-se indigno de confiança” . Na obra de G. Orwell, 1984, o personagem principal Winston Smith se revolta contra o sistema do BIG BROTHER, que controlava até o pensamento dos cidadãos e os três lemas do partido eram: “Guerra é paz”; “Liberdade é escravidão” e “Ignorância é força”. Descoberto pela “Policia do Pensamento”, Winston é torturado e submetido a um processo de readaptação social, para, ao final dizer: “EU Amo o Grande Irmão”. Não sei pq. me lembrei desse personagem agora…

    É claro que a liberdade exige uma contraprestação! Liberdade de ser o que se quer SER, Liberdade de sacrificar uma vantagem, não aceitar um abrigo quando se está no meio de um temporal, porque este abrigo é indecoroso, não é pra qualquer um!
    Intrepidez não se coaduna, na maioria dos casos com coerência. E, muitas vezes, as pessoas não estão preparadas para ela, pois o medo corrói ideologias, sentimentos, emoções, enfim…

    Vários colegas a quem recomendei seu BLOG hoje me cobram pq. os comentários não são mais postados. Olha só q. vergonha…

    Deixa pra lá!

    Paulo de Tarso escreveu: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
    Vou continuar lutando para dizer um dia: Combati com coragem e determinação, aposentei-me, guardei a dignidade.

    Adeus!”

    Rubenita Pimentel

    02/04/2009 at 15:27

  6. Obrigado pela visita cara amiga.
    Talvez você tenha lembrado dessa obra porque é consideranda uma das melhores “anti-utopia” jamais escrita.
    Deixo uma frase do mesmo autor com um significado singelo: “Estamos a viver num mundo onde ninguém é livre, no qual dificilmente alguém está seguro, sendo quase impossível ser honesto e permanecer vivo.”
    George Orwell


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: