REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Quem protege aquele que defende a sociedade?

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Muitas autoridades possuem segurança para exercer seus misteres, incluindo aí, as autoridades do judiciário, legislativo e executivo. Normalmente, essa segurança é proporcionada pela Polícia Militar, diuturnamente, durante o ano todo. Mas quem protege esses policiais? O Estado, a sociedade, a justiça, as leis ou outras instituições governamentais ou não.

Esse é um grande questionamento, às vezes, ouço ou leio algum comentário sobre as organizações de defesa dos direitos humanos, logicamente que na grande maioria das vezes, não são adjetivados de forma positiva, pois há um grande equívoco de interpretação sobre o verdadeiro papel dessas instituições, porque as mesmas surgiram da necessidade de defender o cidadão contra os desmando e arbitrariedade do Estado.

O policial atua em nome de Estado, sendo, portanto um representante dessa entidade tão poderosa e necessária. Seguindo esse raciocínio um policial no momento de sua atuação é o Estado, porém, na árdua missão policial encontra inúmeras situações que colocam em risco a sua liberdade, integridade física e a própria vida. Muitos são sacrificados no altar da proteção à sociedade, mas não vermos ninguém a lamentar por sua perda, apenas seus familiares, amigos e colegas de profissão, ademais, uma nota no noticiário policial.

Não foi apenas uma pessoa que perdeu a vida na violência devastadora de hoje, foi um avatar do Estado, uma peça importante para que a sociedade sobreviva, à própria autoridade do Estado foi ferida de morte. Um atentado contra um policial é um descarado ataque contra todas as instituições democráticas, pois ele representa o Estado. Na realidade é o policial a principal referência do poder, pois pode ser encontrado a qualquer hora em qualquer lugar (pelo menos deveria ser assim).

Mas não podemos esquecer as célebres palavras de Abraham Lincoln “todo poder do povo, para o povo e pelo povo”, então o Estado é a sociedade, portanto o policial é a sociedade – o povo – e um atentado contra esse policial é um atentado contra a sociedade. É um ato covarde contra toda a sociedade, pois um representante do poder estatal, aquele que tem a obrigação de proteger a sociedade, sendo atacado e morto, demonstra que o “Leviatã” de Hobbes já não é mais respeitado, não tem mais o poder de outrora, não cumpre seu papel constitucional de promover o bem comum, portanto pode ser afrontado e desafiado.

Só resta aguardar, observar e acreditar que os representantes do Estado, consequentemente do povo, possam recuperar sua autoridade, que durante anos vem sendo fragilizada, destituída e desacreditada. Nesse momento de crise – normalmente momento propício para as mudanças – que surjam novas idéias e pensamentos, pois só podemos reformular nossas instituições de segurança quando as idéias e pensamentos das pessoas que lá labutam mudarem, só teremos uma polícia mais forte e democrática quando as pessoas que lá labutam se sentirem protegidas e valorizadas.

Enquanto isso não acontece teremos fatos lamentáveis e tristes como o assassinato do Cabo PM Paulo Sérgio da Cunha Nepomuceno, que vem confirmar a violência incessante que vivemos. Aos seus familiares e amigos, meus sinceros pêsames. A Polícia Militar está de luto pela perda de um bravo integrante da milícia de Fontoura. A sociedade paraense está de luto pela morte de um dos seus representantes. O Pará está de luto… Mas as trevas não duram para sempre!!!

Que Deus, o Grande Arquiteto do Universo, nos proteja.

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