REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Armageddon!!! Acredito que não!!!

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Digo sempre que o Brasil é um país monotemático, isso porque após o impacto inicial de uma problemática ou tragédia, a mesma é imediatamente colocada em destaque e passa a ser prioridade máxima. Todos opinam, aparecem vários especialistas, imensa quantidade de discursos políticos, artigos nos jornais e revistas proliferam, inclusive com o resgate daqueles que estava há muito adormecidos e que retornam com sugestões e às vezes com soluções definitivas sobre aquele assunto – na sua época não eram tão eficientes ou efetivos, mas o tempo é um grande mestre.

Surgem então novos planejamentos, políticas e vez ou outras aparecem os culpados. No caso específico que estamos vivenciando, a bola da vez é a segurança pública na Capital do Estado. Dessa vez os culpados foram nomeados e “crucificados”, o Comando da PM e PC, esses são os responsáveis e foram devidamente disciplinados servindo de exemplo para os integrantes das suas respectivas instituições: O Cel. PM Luís foi para a reserva remunerada da PM recebendo, por baixo, a bagatela de R$ 15.000,00 (vamos esperar a publicação da sua reserva para ter certeza) e o Delegado Justiniano foi devidamente exonerado do cargo e nomeado para ser Superintendente do Sistema Penal, uma verdadeira punição pela sua incapacidade de conduzir a PC.

Pronto, vem aí o Fórum Mundial Social e com isso outras prioridades, logo em seguida outro fato deve surgir e o Brasil monotemático nem se lembrará do que estava ocorrendo durante a primeira quinzena desse mês de janeiro. Mas, o nosso Sistema de Segurança Pública vai continuar sua caminhada, tropeçando, caindo, rastejando, mas sempre avançando. A resiliência dos seus integrantes é comparável dos nossos irmãos sertanejos, uns bravos e corajosos que entendem que a missão de proteger, servir e salvar vidas é maior que qualquer decepção ou sentimento de traição.

Por isso continuam, seguem em frente, mesmo sabendo que tudo está fora do lugar, que nada mudou, pois a nossa visão não é mesma dos nossos gestores. A nossa visão surge da premissa de que as polícias como instrumento estatal para proporcionar a segurança da sociedade vai cumprir, bem ou mal, sua missão. Porém, os policiais – seres humanos e cidadãos – são impulsionados pelos mesmos anseios e necessidades que qualquer pessoa, isso fica bem definido na pirâmide das necessidades humanas de Maslow. Portanto como essas pessoas – policiais – podem proporcionar uma segurança de qualidade, se não tem uma boa qualidade de vida, se a sua auto-estima está baixa, se ao usar sua arma (fornecida pelo Estado) para se defender, vai ter que arcar com o pagamento de advogado, porque o Estado não lhe fornece tal condição.

Porque trabalhar nas ruas arriscando sua vida e ganhando pouco, se aqueles que trabalham em gabinetes e outros órgãos no seu mesmo grau hierárquico ganham muito mais e não corre nenhum risco (a não ser sofrer de torcicolo de tanto balançar a cabeça feito vaca de presépio para não perder o DAS). Enquanto trabalhar na atividade fim de nossas instituições for considerado castigo e coisa para os menos favorecidos, será igualmente difícil manter um policiamento ou investigações policiais dentro de um padrão de qualidade digno de nossa sociedade paraense.

Nossos gestores vão continuar sendo sacrificados pela incompetência do Estado de fazer valer as políticas públicas existentes, pois não podemos ter uma visão reducionista dos problemas enfrentados pela sociedade no que tange a violência e a criminalidade, temos sim, que ter uma visão holística para aprofundamos nas causas, aí sim poderemos ter um diagnóstico preciso e aplicarmos soluções eficientes, eficazes e efetivas de combate a essa epidemia de violência.

Não adianta ter apenas planejamentos emergenciais, pois como o próprio nome define servem apenas para problemas emergenciais, a crise na segurança pública tem raízes profundas e necessitam de ações de curto, médio e longo prazo, principalmente os dois últimos. Acredito que ações policiais intensas são necessárias nesse momento, pelo clamor popular, deixa de ser alternativa para ser necessidade, porém não podemos esperar que apenas essas ações resolvam a grande crise que vem ocorrendo dentro do sistema de segurança pública.

Essa crise antes de qualquer solução mágica passa pela discussão sobre os seguintes pontos: Recrutamento, formação e valorização – aumento da escolaridade para o ingresso nas polícias, formação técnica e superior com reconhecimento pelo MEC (Minas Gerais é um exemplo), questão salarial, elaboração de novo estatuto, revisão na legislação atual das ISP, treinamento continuado, rigor no combate a corrupção policial (não só para aquele que trabalha na rua), incentivo ao estudo acadêmico e reconhecimento dos bons policiais (que trabalham na atividade fim). Integração das ações das ISP e finalmente, planejamento, controle e reavaliação a nível de CPC, CPRM, CPRs, BTL e CIPM (logicamente com os meios necessários e com planejamento exeqüíveis, com data de início e fim).

Vamos esperar as ações dos novos gestores do Sistema de Segurança Pública e torcer para que possa ter aprendido como funcionam as coisas no nosso governo atual (acredito que em qualquer governo) ou iremos ver o Armageddon sim, mas será das suas carreiras como policiais.

Que Deus nos Proteja!!!

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