REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

“Estava brincando e não sabia”

Está repercutindo muito as manchetes sobre a da saída do Comandante da Polícia Militar do Pará, ocorrida na sexta-feira (09/01) em decorrência das pressões que o Governo do Estado vem sofrendo por causa da crescente criminalidade que está ocorrendo na capital do Estado.

Fico a imaginar quais serão as mudanças que ocorrerão resultante da reunião na manhã de ontem. Com absoluta certeza não serão mudanças significativas, pois políticas públicas de segurança existem e muitas, o que falta é capacidade nas instituições públicas de colocar em práticas tais políticas.

As instituições públicas de segurança são definidas na Constituição Federal juntamente com suas atribuições, de forma clara e precisa. No âmbito estadual, duas polícias são contempladas pela Lei Maior, a Polícia Civil e a Militar, cada uma com suas atribuições específicas e legais, formando a dicotomia policial brasileira, onde o produto final é a soma de suas atribuições, ou seja, o ciclo policial é formado pela complementação de esforços dessas duas instituições.

No capítulo final do Comando da PM, somente o silêncio, ao mesmo tempo, a Polícia Civil adverte que agora irá realizar o policiamento ostensivo, segundo as palavras do encarregado dessa nova missão “acabou a brincadeira”. Reflito, observo, leio, faço outra reflexão: Será que nesses quase dezesseis anos de serviço estava brincando e nem sabia. Agora, devo voltar para o quartel e deixar somente a policia civil com seu grupo especial de “policiamento ostensivo”.

Talvez, a Polícia Militar deva agora se dedica a tudo aquilo que sempre combati – tomar conta de prédios públicos, carregar maletas e abrir portas – Talvez, a usurpação de nossa função pela Polícia Civil seja a solução tão esperada, que de tão óbvia, até agora nenhum estudioso do assunto tenha pensado (devo pedir indenização a faculdade onde fiz minha especialização, por ensina-me tudo errado).

Hum!! Talvez, seja uma questão matemática, onde 12.000 policiais não conseguem apenas 3.000 seja a solução. Como na mitológica batalha da Termópilas, onde 300 espartanos conseguiram rechaçar por vários dias milhares de persa, dando tempo para os gregos se reunirem e formarem um exército que conseguiu ser vitorioso. Talvez esse “sacrifício” dos policiais civis seja o quadro desesperador da segurança pública no Pará – totalmente sem lenço nem documento.

Um internauta, no seu comentário, sugeriu um membro da OAB para Comandante Geral da PM – como a lei não é respeitada mesmo – quem sabe a Governadora não aprova a idéia. Outros querem que a polícia aja com energia – leia-se violência, violência, violência – seja polícia, juiz e carrasco. Não sabem e nem tem como saber, o que significa para um pai de família, digno e trabalhador, ter a consciência que tirou uma vida, mesmo que seja para defender a sua. Quanto mais ser um carrasco dos seus iguais, essas pessoas não sabem o que é ser policial, proteger e cumprir a lei, mesmo quando ninguém mais a cumprir, essa é a nossa missão.

No final das minhas reflexões, surgem algumas idéias, que de tão batidas, com certeza irão soar como “clichê”, mas tudo bem vai lá: Acabar de vez com esse maldito DAS e remunerar de forma digna todos policiais e não só os comandantes e abridores de porta de gabinetes; Realocar todos os policiais que estão em atividade estranha à policial para as unidades operacionais (nada de conversa que tal função é prevista em lei – foi aprovada para privilegiar alguns); Realizar planejamentos semestrais com metas claras, definidas e com recursos correspondentes a cada um, a partir de Companhias Independentes até Comando Regionais, Metropolitano e da Capital – não cumpriu, explica, não justifica, exonera; Inclusão nas polícias só com curso superior – senão nunca vai melhorar; Criar um Núcleo de Estudo da Violência – atualmente trabalho acadêmico sobre segurança pública serve apenas para acumular poeira; Promoção somente após prova de conhecimentos profissionais; Reformulação na gestão das polícias – esse negócio de P1, P2, P3, P…., nas Polícia Militar é coisa do passado; e por aí vai.

O próximo Comandante Geral terá uma árdua missão, porém deve fica atento para a posteridade, pois façamos uma reflexão do que foi feito nesses dois últimos anos […….].

Ou isso, ou vamos fazer como a Polícia Civil, descumprir a lei para cumprir a lei, ou melhor, mandar os brincantes para casa.

2 Respostas

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  1. O problema é que a PC indo pra ruas, quem vai pra delegacia? Cada macaco no seu galho. O pior é que na PM ninguém faz nada

    Consciência Policial

    01/11/2009 at 21:46

  2. Quem não faz o seu mister com efetividade, eficiência e eficácia, vai fazer o de outro.
    Fala sério!!!
    Só no governo do PT.

    CLAUDIO MARINO FERREIRA DIAS

    01/12/2009 at 0:10


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