REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

UMA LUTA VISCERAL NA CASA MILITAR/PA

with 4 comments

Estou recebendo constantemente via email, algumas notícias e relatos envolvendo autoridades policiais militares que estão ou estavam na Casa Militar do Estado. Como vocês bem sabem a Casa Militar é a responsável pela segurança dos governantes do nosso querido Pará, dentre outras funções secundárias. Ora, receber notícia sobre a Casa Militar e sua administração não seria de estranhar, porém o que de estranhar é uma luta visceral dentro daquela instituição. Já fomos apresentados ao “Coronel Cabano”, aos “Talibãs”, ao “Coronel Silveirinha”, e outras figuras emblemáticas.

Tenho recebido também mensagens de solidariedade com a atual administração da Casa Militar, logo digo que não tenho nada contra e nem a favor. Os remetentes são bem categóricos na defesa dos seus superiores hierárquicos. Bom, isso nada tem a esclarecer sobre a luta instalada naquele órgão, o que é de estranhar são algumas colocações, como por exemplo, dizer que o ataque parte dos chamados “Talibãs”, o que já é um erro, pois ficamos ouvindo sandices na televisão e colocamos em prática esse tipo de discriminação religiosa, mesmo sem perceber.

Outro erro é achar que ao trabalhar em um órgão estatal é trabalhar para o Estado e pelo Estado, quem tem essa visão míope, deveria colocar seus paradigmas em xeque e reavaliar seu desempenho e sua vocação, pois cada servidor da máquina estatal deve lembrar que a figura do Estado é apenas um meio de alcançarmos o bem comum, portanto correto estava o Presidente Americano Abraham Lincoln quando afirmou que “A democracia é o governo do povo, pelo o povo e para o povo”.

Aos defensores do “Coronel Cabano”, sinceramente não consigo vislumbrar essa figura, pois pelo que conheço do movimento da Cabanagem, foi um movimento que movimentou as massas populares e conseguiu chegar ao poder, porém como não estava preparado para aquela ascensão, não conseguiu satisfazer os anseios daquela massa popular e aos assédios do poder constituído da época, ficando apenas como um sopro de esperança que os menos favorecidos e menos intelectualizados poderiam um dia chegar ao poder.

Não consigo ver nada de cabano em nenhuma figura do governo e nem em “Coronel” nenhum, sinceramente nem em mim, haja vista que estudo e trabalho sempre querendo melhorar minha situação profissional e intelectual, e conseqüentemente a social, para não cair na armadilha do sonho cabano. Talvez aí, esteja a única explicação para essa denominação atemporal.

Quanto às denúncias que estão sendo veiculadas, acredito que caso haja evidências, vestígios ou provas documentais, deveriam essas pessoas tão interessadas na segurança da nossa governante (até mais do que ela), apresentá-las ao MP, a Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública e a Corregedoria da Polícia Militar, a fim de serem apuradas, dando condições para que os “acusados” possam exercer seus direitos constitucionais de ampla defesa e do contraditório.

Como frisei no início não sou contra e nem a favor de ninguém, apenas dentro de uma lógica mais que evidente, estou usando esse espaço democrático, porém assinado e público para expor meu posicionamento, pois acredito que a segurança pública em nosso país merece um cuidado especial. O Estado Brasileiro deve ser orientado para a realização das promessas constitucionais e dentre elas a segurança do cidadão como direito social inerente a sua condição humana, e sinceramente não consigo vislumbrar nesses tipos de atitudes um fator de construção para o cumprimento de nossa missão institucional e nem a vejo como uma forma de fortalecimento de nossa democracia.

Written by Claudio Marino F Dias

11/11/2008 às 13:36

4 Respostas

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  1. Parabéns CAP MARINO. Fico muito feliz pela sua atitude em criar este blog. Almejo muito sucesso em nossa pós de gestão da segurança e nas demais que vc está realizando.

    Gaúcho

    11/11/2008 at 17:11

  2. Obrigado caro amigo, também espero que tenha sucesso em sua vida pessoal e profissional.
    Força, paz e união.

    CLAUDIO MARINO FERREIRA DIAS

    11/12/2008 at 21:14

  3. crm4196242Cap. Marino,

    Li seu editorial e me congratulo com seu pensamento.
    Parabéns pel editorial.

    César Roberto Mendes
    Diário do Pará
    Rondon do Pará

    Nego Lindo

    11/17/2008 at 12:47

  4. Alguém referiu-se à Cabanagem? Se me lembro a Cabanagem foi um movimento populista (popular é?) onde, mais uma vez… o povo foi usado – seria eufemístico usar “manobrado”? – Bem, na verdade quem estava no poder não queria largar o osso (ou seja, Portugal) e quem vivia roendo osso acreditou que seria melhor manter as coisas como estavam com uma esperança; sempre, sempre uma esperança; de melhorias. Em outras palavras, a briga não era por melhorias para o povo (ô povo… ô povo…), por socializações ou uma sociedade igualitária. Cara, a briga era por dinheiro e poder. DINHEIRO E PODER!!! Estavamos falando de quê mesmo? Aliás, tenho certeza que ninguém seja governador(a) sendo tapado, pois é isso que, de tanto insistirem com essa baixaria, fica parecendo que pensam da governadora do Estado. Tenho certeza que se as coisas ou pessoas que a cercam não estão da forma que o governante quer MUDA-SE NA HORA, só mais uma coisa…
    CHEGA DE MEQUINHARIA!

    Michel Camarão

    11/18/2008 at 2:08


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