REFLEXÕES DE UM POLICIAL

“Cogitationis poenam nemo patitur”

Perfil do Post

Nasci em Belém – PA, no dia 05 de julho de 1972. Tendo como pais o Sr. Mário Osvaldo Elpídio Ferreira Dias e a Sra. Cleonice Ferreira Dias (in memorian), fui o primogênito de uma família composta de 03 filhos (Cláudio, Clediene e Claudmar). Meu pai era Sargento da Polícia Militar do Pará e fora reformado depois da amputação de sua perna direita em virtude de uma trombose.

Por influência familiar e de amigos, pois meu pai não se afastou de seus velhos amigos da Polícia Militar, a prole resolveu seguir a carreira policial militar. Minha irmã ingressou em 1992, como Soldado PM Fem na PMPA e hoje é Cabo PM Fem. Logo em seguida ingressei na Academia de Polícia Militar “Cel Fontoura”, onde fui declarado Aspirante OF PM em 1995. Meu irmão, Claudmar também ingressou na “Cel Fontoura” em 2000, sendo declarado Aspirante OF PM em 2003, sendo hoje 1º Ten PM.

Abandonei um curso de Direito na UFPA, por ter sido classificado no 4º BPM – Marabá, onde naquela época havia o curso de direito, porém não no mesmo perído que me encontrava estudando. Depois, perdi todo o entusiasmo pelo curso, tinha minha atenção voltada para minha profissão e para o cotidiano vivenciado no 4º BPM. Em 1999, fui nomeado Comandante da 3ª Cia/4º BPM que estava sendo instalada na cidade de Rondon do Pará, distante 135 km de Marabá, onde pude desenvolver um trabalho com certa desenvoltura e com o apoio da comunidade local, fui criando uma certa independência do Comando do 4º BPM. Até que no ano de 2006, foi criada e instalada a 11ª CIPM – Rondon do Pará e fui nomeado seu primeiro Comandante até setembro de 2008, onde resolvi “pausar” minha carreira policial militar, já no posto de Capitão PM (Acredito que seja o mais antigo da corporação).

No momento estou realizando mestrado de Gestão e Auditoria Ambiental com intuito de repensar minha carreira policial militar, pois existem outras coisas em jogo: meu descontentamento com a situação do policial, o bem-estar da minha família, a liberdade de expressão e do livre arbítrio.

Enquanto as coisas estiverem “como antes no quartel de Abrantes” fico trabalhando com questões ambientais em  Rondon do Pará, realizando consultorias, palestras e cursos sobre prevenção ao uso de drogas, prevenção a criminalidade e violência, gestão e outros assuntos afins.

Acredito que cada policial é importante na sua comunidade, porém as arbitrariedades sofridas por nossa classe pela nossa própria classe são muito grandes. O policial é visto como uma máquina fria e descartável, principalmente pelos nossos gestores, e isso é inadmissível. Se cada trabalhador brasileiro tem seus direitos trabalhistas respeitados, inclusive com um ramo do direito exclusivo, o policial é um verdadeiro “excluído” e labuta diariamente para garantir o direito de cada cidadão brasileiro, porém não há ninguém para defender o seu direito.

Tenho uma visão de que isso possa mudar, acredito que a segurança pública começa a ter um papel importante no âmbito político e as discussões sobre isso estão aí no cotidiano das pessoas. Penso que as gerações vindouras de gestores de segurança pública possuem uma visão mais reflexiva da nossa missão e que poderemos num futuro próximo debater tais assuntos com liberdade, buscando soluções para as causas e não para os efeitos da nossa realidade de intolerância e violência.

“A noite sempre é mais escura antes do amanhecer”

Written by Claudio Marino F Dias

02/02/2009 at 12:40

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